Curvas perigosas estão mal sinalizadas em 84% dos trechos rodoviários.

Estudo divulgado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) indica falhas graves na sinalização de 84% dos trechos onde estão curvas perigosas em rodovias brasileiras. Levantamento aponta a presença de placas ilegíveis e ausência de defensas para evitar que veículos saiam das pistas em 43% dos locais analisados. Em 8,8% dos pontos haviam defensas, mas faltavam placas indicativas. Os dados constam de mais de 100 mil quilômetros de trechos rodoviários públicos e privados de todo o país. Destes, as curvas perigosas foram encontradas em 35 mil quilômetros. Para o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, os índices mostram que os projetos viários brasileiros são antigos, o que é preocupante. “Lembrando que o número de veículos cresceu muito no Brasil. Sem a informação de que existe a curva perigosa e sem a proteção, no caso de o veículo não conseguir completar o trajeto, acaba contribuindo para o elevado número de acidentes no nosso país”, diz ele. Ainda conforme a pesquisa, acidentes em curvas perigosas são associados a velocidades acima do permitido nos trechos devidos as condições geométricas, o estado de conservação do pavimento, baixa condição de visibilidade, ou a falta de proteção contínua.

Riscos de acidentes.

As condições da malha rodoviária nacional potencializam os riscos de acidentes. O mapeamento mostra que 86% das rodovias são de pista simples e de tráfego nos dois sentidos. Além disso, constatou-se que em 83% dos trechos de subida não têm faixa adicional, dispositivo importante para ultrapassagens. De acordo com o chefe do Núcleo de Estatística da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Marcus Vinícius Moreira, a maior parte das colisões frontais – que contabilizam o maior número de mortos nas estatísticas – acontece em pistas simples. “São ultrapassagens em locais proibidos, ou até em locais onde ela é permitida, mas o motorista não visualiza o outro veículo vindo em direção contrária”, explica. O cenário causa outros transtornos logísticos. Em pistas simples, principalmente onde há maior fluxo de caminhões, o transporte fica lento e aumenta o custo operacional das empresas. Entre as rodovias sob jurisdição do poder público, 94% têm pista simples. Já nas privatizadas, o índice cai para 54%. Outro dado que preocupa é que 40% das rodovias não têm acostamento, o que aumenta o risco aos motoristas e passageiros já que, diante de imprevistos, os condutores não têm área de fuga.
Fonte: radarnacional