Como um carro é blindado?

A blindagem de um veículo protege os ocupantes contra disparos de arma de fogo. Embora ainda seja um item existente praticamente em carros de luxo, o mercado segue aquecido e registrou alta de 18% em 2014, segundo a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). Mas como é feita a blindagem em um veículo?

Para que o veículo seja blindado é preciso desmontar algumas partes para instalação do material balístico. Os materiais de blindagem são cortados na medida do automóvel para garantir que toda a superfície seja recoberta para impedir a penetração de projéteis.

Em alguns pontos como a junção das portas e bordas de vidro a proteção é reforçada. Isso ocorre porque os vidros exigem adaptação do mecanismo elevador.

Concluída a instalação dos materiais, o revestimento é recolocado no veículo para que o acabamento tenha a aparência original.

Materiais
A proteção de automóveis de passeio é incorporada em algumas partes e substituída em outras. Os materiais balísticos transparentes, compostos por fibras sintéticas de alta resistência (aramida), são colocados na lataria do veículo. As rodas também são blindadas: recebem dispositivos para possibilitar a rodagem do pneu mesmo se ele for alvejado.

A proteção constituída de chapas de aço ou mantas de aramida tem fios entrelaçados que absorvem a energia do impacto de uma bala.

Os vidros também recebem proteção contra o projétil, que preserva ainda o grau de transparência para não prejudicar a visão do condutor e de ocupantes. A solução consiste em placas de vidro e polímeros que formam “sanduíches” resistentes aos disparos de arma de fogo. Há cinco níveis de blindagem: o primeiro resiste a projéteis de uma arma calibre 22 e, o mais alto, a disparos de fuzis de uso não autorizado pelo Exército Brasileiro.

Perfil e modelos
A proteção da blindagem ainda é um privilégio para poucos devido ao custo. A clientela disposta a desembolsar em média R$ 43 mil é formada em sua maioria por empresários (65%). Políticos são 15%, cantores e artistas, 12%. Outros 8% são juízes. Tiguan, da Volkswagen, ocupa a liderança no ranking dos veículos blindados. O segundo, também da Volks, é o sedan Jetta. Corolla, da Toyota, é o terceiro. O tipo de blindagem mais escolhido é o nível mais avançado, que suporta tiros de submetralhadora e pistolas 9 milímetros.

A alta nos pedidos de blindagem no ano passado, quando 22 mil veículos receberam a proteção, é explicada pela sensação de insegurança diante do aumento da criminalidade. São Paulo, que representa 70,7% da procura pelo serviço, registrou em 2014 a apreensão de 4.782 armas de fogo. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 13,57%, Minas Gerais (4,66%), Ceará (2,85%) e Bahia (2,45%). Os 5,8% restantes do universo blindado estão distribuídos por estados de todas as regiões brasileiras: Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin).

Instalação de acessórios pode prejudicar blindagem do veículo

Donos de veículos blindados precisam dobrar a atenção na hora de instalar acessórios como kits multimídia, películas de vidro, rastreadores e câmeras de ré. Os procedimentos exigem técnica especial para que a blindagem do automóvel não seja comprometida.

O engenheiro eletrônico e consultor especialista em sistemas para automóveis de última geração, Oduvaldo Cardoso Filho, explica que para que todo o interior do veículo esteja protegido, são aplicados painéis de proteção balística feitos de fibras especiais no teto, coluna, porta-malas, caixa de rodas, portas e maçanetas. “São locais por onde também passa boa parte da fiação elétrica do automóvel. Por isso, na hora de instalar um acessório eletrônico que requer conexões por cabos, fios e, cada vez mais, fibras óticas o veículo muitas vezes necessita passar por uma intervenção. E no blindado, a maior dificuldade acontece, justamente, na hora de remontá-lo”, afirma.

Se uma parte for colocada incorretamente, a própria eletrônica embarcada no veículo será danificada. Além disso, podem ocorrer os chamados gaps, pontos vulneráveis no blindado que podem abrir brechas para que um projétil disparado invada o habitáculo do veículo. “As consequências para a instalação incorreta são danos aos módulos, centrais e outros sistemas eletrônicos, interferências eletrônicas, ruídos e danos aos acabamentos internos, como falhas nas fixações, manchas e quebras, avarias nos comandos de acionamento dos vidros, sem deixar de citar o risco à infiltração de água e de ar, o que indica a existência de pontos de vulnerabilidade na proteção balística”, explica Fábio Rovêdo de Mello, diretor da Concept Blindagens, de São Paulo.

Instalação especializada
Para evitar problemas futuros, a orientação do especialista é que acessórios, mesmo sendo os mais simples, sejam instalados por empresas especializadas e com o monitoramento de um técnico da blindadora que fez o serviço no carro.

O engenheiro especialista orienta: “caso o técnico da blindadora não possa estar presente no momento da instalação dos acessórios, o veículo deve ser levado até a empresa que executou o projeto de proteção, para que uma rigorosa revisão aponte e sane qualquer tipo de falha ocorrida na remontagem do carro. Esse cuidado é fundamental para que a blindagem, afinal, siga cumprindo integralmente sua função, que é a de preservar vidas”.

Fonte: radarnacional