Números mostram: as mulheres dirigem melhor

Se engana quem ainda tem aquele velho conceito de que mulher deveria pilotar fogão. Ao longo dos anos, elas lutaram por sua independência, ganham cada vez mais força no mercado de trabalho e o reconhecimento não é só neste sentido. As mulheres são, também, melhores de direção.

Entre os fatores reunidos pela consultoria Perkons e que permitem esta constatação estão levantamentos do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre no qual indicam uma probabilidade 19% menor de condutoras se envolverem em acidentes de trânsito. Paralelamente, o Ministério da Saúde revela que a quantidade de homens que perdem a vida no trânsito é quatro vezes maior comparado ao sexo oposto. Os dados de 2009 revelam que 30.631 homens e 6.496 mulheres, 81,4% e 18,4%, morreram em acidentes no sistema viário brasileiro.

Outra pesquisa da seguradora britânica Privilege Insurance, comprova a tese de que as mulheres dirigem melhor. No estudo, que considerou quesitos como direção defensiva, sinalização, respeito à velocidade e atenção, as mulheres fizeram 23,6 pontos de um total de 30. Já os homens marcaram 19,8.

De acordo com Andréa Lacerda de Freitas Carvalho, psicóloga e consultora na área de treinamento, especializada em Psicologia do Trânsito, o comportamento da mulher e do homem no trânsito é diferente. Segundo ela, as distinções são biológicas e culturais, mas deve-se evitar as generalizações. “Há habilidades diferentes entre os sexos. A mulher geralmente se sai melhor quando o assunto é linguagem. O homem em orientação espacial”, exemplifica.

Exames de neuroimagem trazem contribuições em relação a investigações sobre o cérebro, principalmente no que diz respeito à ação dos hormônios que ajudam a entender o comportamento dos motoristas de cada sexo. É comum que o homem seja mais agressivo no trânsito, menos paciente, mais audacioso e se arrisque mais. Por outro lado, a mulher tem um comportamento voltado para o cuidado. Ela tem mais receio e, portanto, é mais cautelosa ao dirigir”, explica Andrea.

Outro equívoco, segundo a especialista, é atribuir a cautela feminina à insegurança. “Não tem a ver com falta de autoconfiança. O ditado ‘Mulher no volante perigo constante’ não se aplica mais às atuais motoristas. Tanto que as seguradoras dão desconto quando o carro está no nome delas”, acrescenta a psicóloga.

A especialista em trânsito da Perkons, Idaura Lobo Dias, afirma que algumas atitudes por mulheres, como falar ao celular quando dirigem, podem comprometer a direção segura. “Fazer a maquiagem ou cuidar das unhas não combinam com direção. No trânsito, alguns segundos de desatenção podem resultar em acidente, por mais destreza que se tenha para executar tais tarefas”, afirma.

A vaidade também não pode afetar a segurança da motorista. Idaura lembra também que é preciso estar atento ao que calçar para dirigir. “O calçado deve oferecer segurança e flexibilidade para os movimentos dos pés, para não comprometer o uso dos pedais. Por isso, por exemplo, chinelos e saltos não são modelos recomendados”, conclui.

Fonte: radarnacional